Zé Carlos me fez lembrar outros avisos policiais

O governador Daniel Pereira tem de chamar o comandante da Polícia Militar e recomendar a ele que, quando  for desencadear uma operação, como a da semana passada, não divulgue antes...

Lúcio Albuquerque, repórter
Publicada em 18 de abril de 2018 às 11:42

O governador Daniel Pereira tem de chamar o comandante da Polícia Militar e recomendar a ele que, quando  for desencadear uma operação, como a da semana passada, não divulgue antes, porque da maneira como foi noticiado pela comunicação da PM, corre o risco de a coisa não dar certo.

Mas o fato que chamou minha atenção foi a que já vi esse filme antes, e como até ontem, conforme o jornalista Zé Carlos Sá, os resultados não foram noticiados, fico na torcida que apesar do anúncio antecipado tenha havido sucesso.

Talvez o título deste comentário – Zé Carlos me fez lembrar outros avisos policiais – leve o leitor a questionar o que a operação da PM tem a ver com o Zé e com o Tuma. Explico: na minha vida de repórter já vi esse filme antes e os resultados, em relação ao que se esperava, não convincentes.

Em Manaus, no início da década de 1970, um delegado do 2º DP que tinha responsabilidade sobre uns oito bairros, reuniu os que faziam cobertura policial e anunciou que iria realizar uma mega-operação no dia seguinte. Na ocasião um de nós perguntou a ele se era mesmo para noticiar, e o cara respondeu  que “sim”.

No dia seguinte o jornal A Notícia saiu na manchete principal: “Delegado do 2º DP avisa bandidos que a Polícia vai trabalhar hoje”. Resultados? Pífios, porque a barra pesada preferiu pegar um barco e “pegar um bronze” do outro lado do Rio Negro, na praia dos Cachorros.

Ainda em Manaus, aí por volta de 1992 ou 1993, um delegado da Polícia Federal deu entrevista, e eu estava lá, anunciando que a PF iria fazer uma grande operação  anti traficantes em Rondônia. Um dos repórteres perguntou se ele esperava pegar “peixes graúdos” depois que a notícia saísse e ele respondeu “sim”.

O jornalista Montezuma Cruz, que acompanhou a operação, garantiu, quando cheguei, que “só pegaram bagrinhos”.

MANDELA

Nelson Mandela teve transformada a cela em que ficou décadas confinado em uma espécie de atrativo turístico. Agora, pelo visto, querem transformar o 4º andar da PF curitibana em uma espécie de museu aberto a qualquer um, com visitas como a de anteontem quando um grupo de senadores, que nunca se interessaram pelas condições carcerárias de ninguém nem das vítimas dos encarcerados, conseguiu autorização para visitar o prisioneiro mais famoso do país.  Para quem esperava que eles – todos da linha de defesa dos dois governos do PT – voltassem de lá criticando ou apontando desumanidade, pelo visto, devem ter ficado decepcionados.

Mas o “Tour 4º Andar da PF curitibana”, pelo visto vai continuar. Agora, uma comissão de deputados federais (será inveja porque os senadores chegaram na frente?) quer também ir lá ver como o “chefe” está alojado. Um argentino que ganhou um Nobel também quer ir, com sua corte, visitar.

Virou atração turística? Qualquer hora vai ter empresa especializada vendendo roteiros curitibanos que passem por ali.

RESPONSABILIDADE OU (OUTRA VEZ) IRRESPONSABILIDADE?

Nunca, desde sua primeira eleição – que me corrijam os historiadores – ainda no primeiro Império, o eleitor brasileiro já teve a oportunidade de, realmente, votar com toda responsabilidade possível ou (outra vez?) demonstrar sua irresponsabilidade como na disputa deste ano, quando estarão elegendo o  presidente, governadores, 54 senadores, mais de 500 deputados federais e deputados estaduais.

O eleitor poderá, pelo voto, mandar embora, rumo a cadeiras de réus perante juízes de primeira instância detentores de mandatos e outros que se escondem na própria lei para não serem atingidos pela própria lei. O desafio é grande, ainda mais num país em que partidos políticos são o que o amazônida chama de “farinha do mesmo saco”, e não é novidade para ninguém citações de que o voto pode ser trocado por “n” coisas.

Dependendo do que sair das urnas – eletrônicas e várias vezes ditadas como devassáveis, o país terá ali a oportunidade de justificar que a Lava Jato está valendo a pena ou, então, que de nada tenha valido tantos esforços e confiabilidade que qualquer pesquisa venha apontado.

Inté outro dia, se Deus quiser....

Comentários

  • 1
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    Otavio Munhoz 18/04/2018

    Hoje temos um esquerda vazia, sem direção ou qualquer projeto de reestruturação. Só pensam em fazer política em cima do presidiário Luís Inácio. Isso mostra um amadorismo, falta de serenidade para sentar desenvolver novas estratégias. Em um antes e pós prisão..o que se vê é ataques as decisões judiciais...e a tal militância se mostrando acéfala..lembrando passeatas estudantis, as quais não surti muito efeito, devido eles não terem poder de voto....

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