Um engodo chamado reforma da previdência

O senhor Henrique Meireles atribuiu o rebaixamento da credibilidade do Brasil no mercado internacional pela agência Standard and Poor’s a não aprovação da reforma da previdência pelo Congresso Nacional.

Valdemir Caldas
Publicada em 13 de janeiro de 2018 às 10:12

O senhor Henrique Meireles atribuiu o rebaixamento da credibilidade do Brasil no mercado internacional pela agência Standard and Poor’s a não aprovação da reforma da previdência pelo Congresso Nacional. Quer com isso, o ministro do presidente Michel Temer, que o PT ajudou a colocar no poder, incutir na cabeça das pessoas a falsa impressão de que a reforma seria o remédio para curar o cancro que corrói as finanças do país, o que não passa de pura falácia. E o pior é que tem muita gente embarcando nessa canoa furada. Alguns, inclusive, até com certo grau de conhecimento.

Por trás dessa interpretação, sem dúvida absurda, o que há de fato é total desprezo pela opinião pública e descontrole das despesas públicas de um governo cujo dínamo é o fisiologismo mais deslavado, como ficou evidente antes da votação da segunda denúncia da Procuradoria-geral da República, com a compra de deputados, causando, assim, uma sangria de quase 15 bilhões de reais nos cofres públicos. Já foi dito e repisado que a reforma da previdência vem sendo usada como engodo para tentar esconder o abismo financeiro no qual o Brasil está imerso.

O Brasil precisa de uma urgente reforma tributária, que venha acabar com esse cipoal de impostos que asfixia o contribuinte e reduz cada vez mais o seu orçamento doméstico. O sistema tributário brasileiro tem sido usado de maneira inconsequente, imoderada e irracional, fazendo crescer ainda mais as injustiças, em vez de estimular os investimentos nos setores produtivos e, destarte, elevar o nível geral da eficiência econômica, mola propulsora do desenvolvimento. A renovação da mentalidade tributária é um imperativo do momento, algo da maior relevância para o país.

A sociedade não está acreditando nas mensagens publicitárias e nos discursos de um governo que não tem feito outra coisa senão mentir para tentar resolver seus problemas de caixa. Se há um culpado para tal estado de coisas, esse culpado não é a previdência pública, que, reconhecidamente, tem lá suas mazelas, mas está longe de ser o vilão da história.

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