Será só isso?

“Medo da violência faz brasileiros apoiarem autoritarismo”.

Lúcio Albuquerque
Publicada em 06 de outubro de 2017 às 15:27

O site gentedeopiniao.com.br reproduziu ontem, 5, uma notícia publicada antes pelo site brasil247, sob o título “Medo da violência faz brasileiros apoiarem autoritarismo”, trazendo como ilustração uma foto de membros da Força Nacional, citando que as informações são  oriundas de matéria de uma repórter do jornal Folha de São Paulo..

Segundo o texto, “A confiança nas instituições também vai mal: apenas 25% da população confia na polícia; 29%, no Judiciário; 11%, na Presidência da República e 10%, no Congresso, segundo levantamento de 2016 da FGV. Nesse contexto, parece natural a queda no apoio à democracia detectada em setembro por pesquisa Datafolha. A noção de que a democracia é sempre melhor que outras formas de governo obteve no mês passado a concordância de 56% dos eleitores. Já em dezembro de 2014, a afirmação era apoiada por 66% dos entrevistados”..

Vamos por partes: primeiro, que a pesquisa da FGV trouxe apenas o que Nelson Rodrigues dizia ser o “óbvio ululante”, quer dizer, nada novidade. Hoje, falando francamente, nas instituições citadas pela pesquisa há pouco crédito de parte da população, apesar de porta-vozes delas fazerem questão de repetir uma ladainha, a de que “as instituições estão funcionando normalmente”..

Não estão. É só verificar o que tem de queixa de demora do Judiciário; da paralisação do Executivo e do Legislativo, para ver que é balela alegar que “as instituições estão funcionando”, e, como disse recentemente em editorial o Jornal Alto Madeira, parece que funcionam como horário de trabalho de funcionalismo público..

Segundo que o problema que pode ter levado à conclusão da pesquisa passa não só pela violência e o medo dela, mas exatamente porque o cidadão perdeu de há muito a confiança no poder público, e os poderes, especialmente o Legislativo e o Executivo, a partir de 2003, resolveram descer a ladeira, preocupados apenas com jogar para a plateia, sem atinar para o todo, e nós pagamos a conta..

Temos um Governo (seria melhor chamar “desgoverno”?) parado desde que em 2005 houve a denúncia do mensalão e, daí em diante, uma sequência de fatos que levaram, cada vez mais, a decrescer a confiança da sociedade nele, e, por extensão, nos outros..

E não se tenha dúvida que quando a chamada “sociedade civil” deixa de confiar na gestão civil, tende, é só ver o que já aconteceu no Brasil, a tomar outra direção..

E estímulo a que essa descrença cresça ainda mais é o que não sobra, especialmente quando analistas conhecidos partiram para criticar a permissão a que a senhora Dilma Rousseff mantivesse seus direitos políticos, até quando uma parcela imensa do Congresso Nacional é composto por deputados e senadores que parece terem compactado com o crime e agem, sem qualquer disfarce, com forte espírito de corpo, o que, pelos episódios largamente divulgados pela imprensa, atinge diretamente o presidente Michel Temer tentando salvar a si mesmo sem medir esforços..

Daí a pergunta inicial: “Será só isso? Não estar fora do contexto e ter muito a ver com os fatos atuais. .

Comentários

  • 1
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    joão bosco 06/10/2017

    precisamos de uma intervenção para colocar ordem na coisa publica, pois o estado de direito está doente dependendo de uma dose cavalar para sair do estágio de coma. instituição como o STF nunca apresentou nada que pudesse reveter tal situação e suas redações elaborada por técnico do segundo escalão se limita a fazer o que o passado fez para não ser criticado. e por isso que o sergio moro é criticado. num pais com mais de dez mil juizes somente quatro e perseguido por bandido. tem alguma coisa errada. intervenção não é ditadura e sim uma alternativa de fazer o democratico, cristã, humanismo e social. num pais onde o presidente vem a televisão comprar voto com o dinheiro público para se livrar da cadeia tem alguma coisa errada. num pais onde o mundo está de olho nos minério e o presidente entrega de graça nossas riquezas.. não e hora de filosofia barata e sim de ação .

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