Reforma da Previdência e o rolo compressor

Com medo das urnas, deputados e senadores prometem votar contra, mas é praticamente impossível que todos honrem seu compromisso com os servidores públicos e os demais trabalhadores rondonienses.

Rubens Coutinho/Tudorondonia
Publicada em 10 de janeiro de 2018 às 14:44
Reforma da Previdência e o rolo compressor

Será muito difícil para deputados federais como Garçon, Capixaba, Luiz Cláudio, Marinha Raupp e Lúcio Mosquini resistirem aos acenos irresistíveis do Governo Federal em busca de votos para aprovar a Reforma da Previdência Social.

Recursos de emendas e cargos na máquina pública são moedas de troca usadas pelo Governo para convencer os recalcitrantes a botar de lado a opinião pública e votar a favor.

Não fosse a eleição que se aproxima, não haveria qualquer dúvida de que o Governo Temer já teria maioria segura para aprovar a medida.

Com medo das urnas, deputados e senadores  prometem votar contra, mas é praticamente impossível que todos honrem seu compromisso com os servidores públicos e os demais trabalhadores rondonienses. 

A categoria dos servidores, aliás,  é a que mais resiste a qualquer tipo de reforma. Por ser também a mais organizada no Estado, exerce formidável poder de pressão sobre os parlamentares.

O senador Valdir Raupp (MDB) e o deputado federal Lindomar Garçon (PRB) chegaram a gravar declarações, postadas nas redes sociais, empenhando a palavra contra a reforma.

Ocorre que seus respectivos partidos deverão fechar questão em torno da aprovação da medida.

No caso do PRB de Garçon, nada que alguns carguinhos e a liberação de caraminguás-em forma de emenda-não resolvam.

Raupp, cuja imagem junto ao eleitor está mais do que desgastada, terá de, pela primeira vez na vida, afrontar o poder central e dizer não às reformas. Ou se entender com o eleitor, tendo que enfrentar as acusações de envolvimento no esquema de desvio de recursos da Petrobrás e, de quebra, explicar porque mudou de ideia e votou a favor de algo que havia prometido rejeitar. 

O mesmo se aplica à mulher dele, a deputada federal Marinha Raupp, também do MDB, que fez carreira dizendo amém ao governante de turno.

Lúcio Mosquini, por ser do MDB, o partido de Temer, segue na mesma toada, sujeitando-se à imposição da cúpula partidária. Sem esquecer dos cargos e das emendas, sem os quais é mais fácil resistir e  impor-se contra medidas de força. 

Mariana Carvalho (PSDB) , Marcos Rogério (DEM)  e Expedito Netto (PSD) são os únicos que estão à vontade para saltar de lado e escapar do rolo compressor governamental. Talvez por falta de "carinho", eles nunca conseguiram se afinar com o Governo Temer e são tidos como caso perdido.

O títere Luiz Cláudio (PR) sujeita-se ao que seu mestre ordenar. O senador Ivo Cassol, dono do mandato de Luiz Cláudio, como o morcego da fábula de Monteiro Lobato, faz o jogo do pau de dois bicos, colocando um pé em cada canoa e deixando as águas o levarem para ver aonde vai aportar. 

O senador Acir Gurgacz (PDT), pré-candidato ao Governo de Rondônia, tem mais de um (!) calcanhar de Aquiles: sua empresa Eucatur é uma das maiores devedoras da União (leia-se Previdência Social), depende da boa vontade dos órgãos que fiscalizam o setor no País e não vê a hora de monopolizar o transporte interestadual entre Rondônia e o Amazonas no trecho da BR-319 (Porto Velho-Manaus), hoje, não por acaso, a menina dos olhos do homem da cobra.

O voto de Nilton Capixaba (PTB) já foi decidido com a entrega do Ministério do Trabalho à enrolada deputada Crhistiane Brasil, filha do mensaleiro Roberto Jefferson, a quem o deputado federal de Cacoal  obedece cegamente.

Mas no fundo, mas não tão fundo assim, todos torcem para que a reforma não seja pautada em fevereiro. 

Enquanto isso, os eleitores rondonienses se encarniçam nas redes sociais brigando e  trocando insultos  por Lula ou  Bolsonaro. 

Comentários

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    Augusto de Paula 10/01/2018

    Ho ho ho...... Não é bem assim.... o Sr. Marcos Rogério e a Srta. Mariana, votaram sempre com esse governo q está aí, vide, Limite de Gastos com a Saúde e Educação; Reforma Trabalhista; Financiamento Público de Campanha, e várias outras cozitas mais, só mudaram os votos, qto à denúncia contra o Temer, inclusive na época, e até hj, são de apoio de Sustentação à Temer, a verdade é Essa!!! Abraços!!!

  • 2
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    Alexandre 10/01/2018

    Deputados a favor da reforma da Previdência não serão reeleitos.

  • 3
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    DORENALDO 10/01/2018

    Resumo da história: aceitem as "ofertas" e aproveitem os últimos meses para se despedirem dos mandatos e futuras eleições. A população já decidiu: QUEM VOTAR A FAVOR, NÃO VOLTA, SEJA DEPUTADO OU SENADOR. Pensam que o povo é trouxa: contribuir durante mais de QUARENTA ANOS e ter benefício equivalente a SESSENTA POR CENTO ( 60%) de todas a contribuições, sem exclusão das menores..

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