Eu, presidenta do Brasil

Sou Antônia Inocência, uma velha prostituta já aposentada e “rondoniense de coração”. Tenho muitos anos de labuta nesta minha honrada profissão e já fiz de tudo o que se possa imaginar neste meu glorioso trabalho.

Professor Nazareno
Publicada em 19 de maio de 2017 às 09:49
Eu, presidenta do Brasil

Antônia Inocência*

            Sou Antônia Inocência, uma velha prostituta já aposentada e “rondoniense de coração”. Tenho muitos anos de labuta nesta minha honrada profissão e já fiz de tudo o que se possa imaginar neste meu glorioso trabalho. Agora tenho todo o direito de querer coisas novas. Vou entrar na política para melhor administrar meu povo. Com a atual crise ética que o Brasil está enfrentando, sei que posso dar a minha singela contribuição para melhorar este cenário de terra arrasada que estamos vivendo diariamente. O brasileiro comum, honesto, trabalhador e pagador de altos impostos vive humilhado e explorado pelos ocupantes da Casa Grande.  Há muito tempo que para o infeliz ver o fundo do poço tem que olhar para cima. Mora na Senzala fedorenta e parece que não conseguirá jamais dela sair. E pior: ainda é obrigado a votar e achar que tudo está bom.

            Eleita presidenta, começarei logo a mostrar o meu plano de governo. Não sou da direita nem da esquerda, mas quero votos e apoio de qualquer lugar. Serei diferente, tenham certeza. Acabarei com a obrigatoriedade do voto. Durante minha gestão, a participação na política será muito próxima de zero. Não quero ver meus concidadãos sendo obrigados a eleger ladrões e corruptos. Nada de Estado laico durante o meu mandato. Vou me apoiar nos deputados da Bancada Evangélica para substituir imediatamente a Constituição pela Bíblia. Doravante, em toda sala de aula de qualquer escola deste imenso país, será cantado o hino nacional. Mandarei distribuir bíblias e catecismos em todas as comunidades pobres. Legalizarei o porte de armas para todo cidadão de bem e pretendo de início exercer certo controle sobre a mídia do país.

            Nem Temer, nem Lula, nem Dilma, nem Aécio, nem Cunha, nem PT, PSDB ou PMDB. O nome da vez agora é “Tonha de Rondonha”. Tirem todos os políticos profissionais do páreo e deem vez a quem quer trabalhar pelo povo. Mostrarei como se deve demonstrar amor de verdade a uma cidade sem precisar de textos simplórios e ridículos para que isto aconteça. Como presidenta eleita, transformarei todos os pobres e humildes em cidadãos de bem e ricos. Jamais permitirei que nas cidades exista ponte escura, viadutos inacabados e áreas de lazer eleitoreiras, feias e abandonadas. Água tratada, arborização, mobilidade urbana, jardins, praças, calçadas e saneamento básico serão coisas comuns em minha administração. Não contratarei um único funcionário comissionado nem jamais cortarei benefícios de concursados como os quinquênios.

            Resolvam logo estes problemas políticos do Brasil e me indiquem para a Presidência da República. Rondonha e sua linda e asseada capital Porto Velho terão os destaques que merecem. Ninguém virá morar aqui para encher “as burras” de dinheiro e depois se mandar para seus Estados de origem. Não permitirei jamais que faculdades de Medicina funcionem sem ter um Hospital Universitário. Vou propor também ao Ministério Público, a CGU e até ao STF que proíbam qualquer Estado de ser governado por um blog. Em minha gestão, por exemplo, qualquer hospital público ficará proibido de imitar os campos de extermínios nazistas. “Tonha de Rondonha” vai passar o Brasil a limpo e consertar as coisas. Jornalistas e professores ficarão proibidos de falar de suas cidades e só poderão publicar notícias boas e mentirosas, mas que tragam conforto ao sofrido povo. Quero presidir o Brasil, pois de puteiro eu entendo muito bem. Duvidam?                                                                         

 

*É uma prostituta aposentada de Porto Velho

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