De estilingue a vidraça

Como promotor titular da Promotoria de Saúde do Ministério Público de Rondônia, doutor Hildon Chaves, em tempos idos, denunciou o caos a que chegara a saúde estadual.

Valdemir Caldas
Publicada em 09 de julho de 2018 às 10:27

Como promotor titular da Promotoria de Saúde do Ministério Público de Rondônia, doutor Hildon Chaves, em tempos idos, denunciou o caos a que chegara a saúde estadual. Numa ocasião, foi entrevistado dentro do Hospital João Paulo II, onde manifestou sua insatisfação com a situação que ali encontrou.

Hoje, doutor Hildon é prefeito de Porto Velho. Ele sabe que a saúde municipal não vem correspondendo às expectativas, mas, infelizmente, não toma nenhuma providência no campo prático para, pelo menos, amenizar o sofrimento da população, principalmente daqueles que dependem do poder público. Passou, portanto, de estilingue a vidraça.

Se o prefeito desistiu de cuidar da saúde, deixando-a entregue à sua própria desdita, o mesmo se não pode dizer do Ministério Público de Contas de Rondônia (MPC-RO), que resolveu enquadrar sua administração. São por essas e outras que eu não me canso de realçar o papel do MPE/RO, TCE/RO e da PF, dentre outras instituições. 

Logo que assumiu o mandato, o prefeito deixava o gabinete para avaliar de corpo presente os problemas do setor. E prometeu mudanças que jamais se concretizaram. É como se o município tivesse renunciado de suas responsabilidades, qual seja, proporcionar um sistema de saúde efetivo à população, já exaurida com tantas dificuldades do dia a dia.

Um governo só é digno desse nome quando consegue, ao lado de sua capacidade de arrecadar impostos, viabilizar instrumentos de bem-estar social, preferencialmente a custo zero para os cidadãos. Fora isso não é governo, é mistifório.

Dinheiro, como se sabe, não é problema. Os cofres da saúde municipal estão abarrotados de reais. O problema é que o pessoal do prefeito ainda não aprendeu como investir. Não há planejamento. A coisa anda na base da improvisação. Quando isso acontece, a incompetência deita e rola, deixando quem mais precisa desamparado.

Já disse aqui mesmo desse espaço que saúde é coisa séria, com a qual não se pode brincar. Em vez isso, é preciso valorizar o setor como um todo, aproveitando-se de fato as estruturas já existentes, expandindo os serviços, capacitando os profissionais e pagando-lhes salários decentes.

O prefeito precisa compreender que a campanha eleitoral passou. Faz tempo. Urge agir com determinação, buscando implantar uma nova política para o trato da questão. A população precisa ser vista como o alvo das ações governamentais, e não como bucha de canhão.

Comentários

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    Suamy Vivecananda 09/07/2018

    Como eu queria que o Prefeito convidasse o Sr. Valdemir Caldas para assumir a Secretaria de Saúde de Porto Velho. Assim ele entenderia que quando a política entra em campo inflada por pessoas antes desocupadas, que só sabem politicar, nada prospera. Agora Valdemir a coisa vai andar na educação do município, ele convidou um expoente malhado na questão educacional. Mas ele inicialmente trouxe alguns que eram mais fracos do que caldo de piaba. Os servidores sentem quando o gestor é apenas mais um curioso da política. Mas o prefeito está se virando, não trabalho com ele, sou do estado, mas observo em algumas áreas um esforço para acertar. o problema são as lideranças.

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