Brasil bem na foto: à frente da Coreia e Taiwan

Calma: segundo o jornal argentino El Pais (*) dentre 30 países numa medição do nível de leitura de livros, o Brasil ficou em 28º lugar, à frente apenas daqueles dois.

Lúcio Albuquerque, repórter
Publicada em 04 de junho de 2018 às 11:16

Pode parecer ironia que o título se refira ao Brasil estar à frente de duas nações gigantes em tecnologia e economia no mundo, mas, por incrível que isso possa acontecer, estamos lá, e não se trata de futebol nem de corrupção, mas estamos mesmo à frente.

Não quer ninguém se estressando em saber no quê, afinal de contas, o Brasil está assim “tão bem”. Calma: segundo o jornal argentino El Pais (*) dentre 30 países numa medição do nível de leitura de livros, o Brasil ficou em 28º lugar, à frente apenas daqueles dois.

Portanto, não é bom soltar foguetes nem sair alardeando que somos uma potência. Pelo contrário, é lamentável que a medida, feita em 2015, mostre o quanto estamos atrasados na busca do conhecimento. Ainda recentemente ouvi de vários jovens que eles lêem muito em seus whatsaap’s e do que sai nas “redes sociais” – em grande parcela textos inúteis e/ou o que se chama agora de fake news, ou seja, ainda a mesma coisa mas piorada porque essa boataria acaba gerando uma espécie de terrorismo como no recente movimento dos caminhoneiros.

Há como reverter isso? Há, mas é um processo em que todos segmentos devem se envolver, a começar na própria família que, em muitos casos deixa para a escola a responsabilidade da Educação e, quando o garoto, desde pequeno a se alienar entregue às novidades eletrônicas, sendo motivo de alegria para muitos pais que um filho na 6ª série saiba “tudo” de celular mas não saiba fazer uma interpretação simples de texto, ou uma operação matemática sem uso da calculadora – isso quando sabe operar uma calculadora.

Leon Tolstoi, grande escritor russo, cunhou uma frase que diz tudo ao contrário do que pensam e agem os senhores da Educação neste país, pais e professores: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. Ele não sugeria ali milhões de Di Cavalcanti, de Tarsila do Amaral e tantos expoentes brasileiros dessa arte universal. Tolstoi estava dando um recado que é sinistramente ignorado neste país, onde a literatura e a história, regional ou nacional, são praticamente colocadas de lado nas escolas, públicas ou particulares, e o estímulo à leitura realmente inexiste.

Num país onde quem mais faz barulho convence quem tem o poder de decidir, ainda que a chamada “maioria silenciosa” seja esmagadoramente mais numerosa, e em que o poder político, que tem a responsabilidade de decidir sobre o caminho do país se submeta seguidamente à ditadura do “politicamente correto”, num país assim não se deve alguém admirar que fiquemos bem abaixo de Venezuela e países de 4º mundo da Ásia e África.

Num país onde o civismo e o mérito há muito foram colocados na lata do lixo, onde autoridades maiores da Educação estão ali não por seus conhecimentos, mas por distribuição de cargos a partidos da “base” de governo, em que indicação de ministros e similares se faça por escolha do dono – momentaneamente – do poder, então, o que esperar de estudantes que, como é comum ouvir-se dizer: “Fazem de conta que estudam enquanto uma parte do magistério faz de conta que ensina”.

A Rede Globo está bombardeando seus telespectadores com inserções opinativas a respeito do que querem para este país. Em 15 segundos é difícil sintetizar uma frase, mas são comuns as respostas sobre “país sem corrupção”, mas de que adianta dizer que seja contra a corrupção quando, em grande maioria neste Brasil, se pratica a dita cuja e    na hora de votar o critério seja de escolher qualquer um, às vezes por compadrismo, por interesses terceiros ou mesmo, como na minha vida de repórter já ouvi tantas vezes, “porque o candidato é bonito” ou “porque é mulher”, como nas disputas de 2010 e 2014 para presidente. E o desejo anticorrupção?

(*) https://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/26/opinion/1424979919_254116.html

Considere-se dito!

HISTÓRIAS DO LÚCIO

QUE PAÍS QUE EU QUERO?

Várias vezes tenho ido conversar com alunos de nível médio e superior, e sempre que chego à parte final pergunto sobre o que eles têm lido, se sabem alguma noticia importante que tenha sido objeto de noticiários, coisas assim. E tenho ouvido respostas absurdas, como de uma estudante já na metade do curso superior, dizer que não se importa com o preço da gasolina “por que não tenho carro”.

Ou do aluno de Jornalismo que me questionou quando sugeri que lesse e recomendei alguns autores que, entendo, podem ajudar na profissão. Resposta? “Eu vou ser jornalista e não escritor”. Quando estava no Tribunal de Contas fui conversar com alunos de 3º ano de um colégio de Porto Velho e o assunto era os impostos. “Eu não pago imposto”, disse o jovem que, depois eu soube, passou num vestibular de Direito.

É comum, quando se conversa, com estudantes ou não, ouvir uma resposta que parece mais um mantra: “Eu não gosto de política”, como se a ação política (e aqui cito aquela desenvolvida pelos detentores de mandatos) não tenha qualquer influência sobre a vida de todos.

DATAS DE RONDÔNIA

Junho

Dia 1 – 1948 – O governador Frederico Trotta assina o decreto 83, criando a Biblioteca Pública “Raimundo Morais”, inaugurada no dia do mesmo mês (Antonio Cantanhede, Achegas para a História de Rondônia)

Dia 2 – Em 1909 – À frente de uma comitiva formada por militares e cientistas, Rondon inicia, na serra da Juruena (MT) a caminhada para a Serra do Norte e o Rio Madeira (Amilcar Botelho de Magalhães, Pelos Sertões do Brasil)

Dia 3 -  1908 – O presidente da Província de Mato Grosso, Generoso Paes de Leme Ponce, assina  a lei 484 criando o município de Santo Antonio do Rio Madeira (A partir de 1945 incorporado como bairro a Porto Velho).

Dia 5 – 1969 – Primeira certidão de nascimento expedida pelo cartório Cível de Vilhena, em nome de Maria do Carmo Paes, nascida há 23 anos (Carlos Alberto, Vilhena conta sua História).

Dia 5 – 1975 – A Teleron instala um posto telefônico na vila de Cacoal (Vitor Hugo, Cinquenta anos do Território Federal do Guaporé)

Inté outro dia, se Deus quiser!

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